A vida é cheia de problemas. O meu é morar em cima de um bar. E talvez quem freqüente um não tenha parado para pensar sobre as desvantagens em se morar perto de um lugar tão divertido. Até porque o que alguém menos quer em um bar é pensar.
De baixo, lá do reduto dos boêmios, sobem vapores de fumaça, cheiro de fritura e conversas de estranhos. E risadas, muitas. O que pode entristecer alguns numa noite solitária de insônia forçada.
Além disso, existem os bêbados, que talvez seja o maior problema. Acredite-me, encontrar um aos pés da sua escada às seis da manhã não é tão engraçado como fazem parecer nos filmes. O que resulta de uma noite de bebedeiras é o caos. Restos de comida no chão, cacos de garrafas, às vezes um pouco de sangue tirado numa briga e claro, vômito. Como eu disse, o caos.
As vagas de estacionamento são outro dilema. Quem sob efeito do álcool se importa com uma placa débil de proibido estacionar? Sem contar as cadeiras, cada vez mais espalhadas há medida em que os clientes chegam. Mas todo mundo precisa de bebida. Ela acaba com as frustrações, as interrogações, as recordações.
Em cima de um bar pode morar qualquer um. Há a vizinha solteirona que não conseguiu “vencer na vida”, os recém casados que vieram da periferia e os universitários. Se você trabalha em horário comercial, um bar com certeza não é indicado para você. Mas o aluguel barato faz tudo valer a pena, certo?
Se engana quem pensa que a vizinhança não é tão privilegiada no fim das contas, apesar de todos os problemas. Afinal, há sempre a bebida para a afogar as mágoas, petiscos para forrar o estômago e um garçom tão despercebido quanto você para jogar conversa fora. E assim a vida - cheia de problemas - segue.
Amanda Morais
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quarta-feira, 17 de junho de 2009
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