Artur, um dos maiores heróis de todos os tempos, é despido pelo inglês Bernard Cornwell de todas as lendas que envolvem sua figura mitológica. O senhor do Inverno, assim como os outros livros da trilogia As crônicas de Artur, é narrado pelo jovem saxão Derfel Cadarn, criado pelo excêntrico e ferino druida Merlim. Mais tarde Derfel se torna um dos melhores guerreiros e amigos de Artur, e através de seus olhos podemos presenciar com crueza cenas e batalhas históricas e esbarrar com figuras como Guinevere, Lancelot e Morgana. Mesmo sendo descrito como o homem mais poderoso do século V, Artur nunca foi consagrado rei, porque era filho bastado do Grande Rei da Britânia e do condado da Dummonia, Utred. Quando seu pai morre, ele é nomeado conselheiro principal de seu sobrinho Mordred, herdeiro legítimo.
Apaixonado por História, Bernard Cornwell conta a história de Artur embasado em descobertas arqueológicas recentes. Derfel o ajuda a retratar esse guerreiro complexo, que mesmo ansiando a paz na Britânia, era um comandante e estrategista nato. As batalhas sangrentas enfrentadas pelos personagens são ricas em detalhes e primordiais para o livro. Por que a guerra é o que move esses homens, mesmo com todos os esforços em pacificar a Britânia para o reinado de Mordred. O narrador em primeira pessoa dá um toque pessoal e parcial à história e emociona o leitor, o aproximando dos personagens.
Além dos invasores saxões, Artur e seus guerreiros têm que enfrentar outro inimigo: o cristianismo. O livro, narrado em dois momentos, mostra dois “Derfels”, um jovem apaixonado pela guerra e pelo lendário Artur e um monge isolado, que, mesmo renegando sua origem pagã, ainda reluta em crer no cristianismo. Algumas passagens do livro, principalmente colocadas na boca do descrente Artur – que não apoiava nem os druidas nem os padres cristãos – provocam essa religião que tolhia e culpava guerreiros que faziam o que bem entendiam e costumavam acreditar nos antigos deuses da Britânia. O senhor do Inverno é o mais fiel relato da história de Artur e quem gosta de História e batalhas homéricas não pode perder.
(Amanda Morais de Assunção)
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